me

to

do

lo

gia

a metodologia exclusiva que nasceu no canto do brasil e chegou à universidade

 

Desenvolvida por Regina Machado, nossa metodologia parte do canto popular brasileiro midiatizado para minuciar o estudo sobre a estética da voz na canção popular brasileira. O trabalho técnico envolve a prática de exercícios vocais e respiratórios com enfoque à questão perceptiva e à estética vocal para a canção popular. A partir daí o aluno é orientado a buscar o equilíbrio da emissão com acuidade musical, controle respiratório, compreensão emotiva para a construção da interpretação e formação de sua própria personalidade vocal.

O aprendizado técnico dá-se paralelamente ao estudo da história da canção popular brasileira.

​O estudo de repertório é dividido de maneira modular a partir de uma cronologia desta canção popular midiatizada desde o início do século XX com o surgimento e consolidação do samba até a Vanguarda Paulista. A escola possui material didático exclusivo, desenvolvido pela equipe de professores sob a orientação de Regina Machado.

épo
ca de
ouro

A canção popular brasileira midiatizada teve seu início com as gravações realizadas pela Casa Edison de Frederico Figner. Os primeiros registros ocorrem a partir de 1902 e revelam cantores como Bahiano, Mário Pinheiro, Cadete, Eduardo das Neves e Vicente Celestino, entre outros. Na época, o processo de gravação mecânico exigia que os cantores tivessem grande

projeção de voz pois só dessa maneira o diafragma do fonógrafo poderia mover-se com força suficiente para fincar o sulco correspondente aos sons no cilindro de cera. No entanto, já nesse período é possível notar duas diferenças estéticas diferentes para a empostação vocal: uma ligada à música européia, referenciada na ópera; e outra vinculada à sonoridade da fala, portanto com menos utilização de vibratos e maior naturalidade na articulação dos fonemas. Dentre os cantores citados anteriormente, Vicente

é um exemplo da voz que fazia uso dessa emissão operística, enquanto Bahiano e Eduardo das Neves estavam mais conectados com a a emissão próxima da fala.

A partir de 1927 o processo de gravação mecânica é substituído pelas gravações elétricas. Tal acontecimento permite aos cantores que fazem uso de menor potência vocal e até aos compositores que possam frequentar o universo do disco iniciando assim, aqui, o momento da canção popular brasileiro que foi posteriormente chamado de Época de Ouro.

É exatamente nesse período que a música popular brasileira vive sua primeira grande fase, de 1929 a 1945, onde se fundam as estruturas do gênero que se consagraria como canção popular urbana. Os compositores e cantores – e mesmo alguns arranjadores surgidos na época – tornaram-se referência fundamental para todas as gerações posteriores. O estudo referente a esse período da canção colocará o aluno em contato com a obra de compositores como Noel Rosa, Assis Valente, Wilson Batista, 

 
_edited.jpg

Geraldo Pereira, Ary Barroso, João de Barro, Custódio Mesquita, Lamartine Babo, Haroldo Barbosa, Janet de Almeida, Pixinguinha, Bororó, Dorival Caymmi e muitos outros. E também com as vozes de Vicente Celestino, Francisco Alves, Araci Côrtes, Carmem Miranda, Mário Reis, Luís Barbosa, Aracy de Almeida, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Elisa Coelho, Dircinha Batista, Linda Batista e Emilinha Borba entre outros. A documentação sonora criada pela indústria fonográfica – ainda que sem 

intenção – nos permite conhecer através da escuta cada uma das vozes importantes para o período, compreendendo referências estéticas e técnicas presentes nesse momento da canção. A partir daí podemos desenvolver o estudo de repertório, preocupados em encontrar a nossa própria sonoridade e identidade vocal, mas, solidamente orientados por um passado musical que não deixa dúvidas quanto à sua consistência e significação.

a reno
vação do
samba
canção
e a bossa nova

Neste período, já sob forte influência do bolero e da canção popular norte-americana veiculada no Brasil principalmente através do cinema, o samba-canção se populariza e também sofre transformações estruturais tais como a elaboração harmônica e a incorporação do recitativo* à sua forma.

A temática do amor romântico torna-se o centro das narrativas e abre-se espaço, então, para as vozes femininas de tessitura grave. É exatamente aqui que surge a canção que fica popularmente conhecida como "música de fossa" e/ou "música de dor-de-cotovelo", repertório este que tem como tema central a perda amorosa.

É também neste momento que as vozes adotam um comportamento mais econômico e a demonstração de potência vocal como principal atributo do cantor dá lugar à expressividade dramática para que a voz possa significar, também no campo sonoro, aquilo que os textos musical e poético exprimem.

O estudo deste período colocará o aluno em contato com as obras de António Maria, Lupicínio Rodrigues, Fernando Lobo, David Nasser, Monsueto, Dolores Duran e Maysa, entre outros compositores. Serão estudadas as vozes de Dick Farney, Nora Ney, Lúcio Alves, Jorge Goulart, Dolores Duran, Ângela Maria, Maysa, Cauby Peixoto, Elizeth Cardoso, Roberto Silva, Isaura Garcia e outros cantores da época.

Este novo tratamento dispensado à interpretação da canção brasileira atinge seu ápice com o lançamento do LP  Canção do amor demais onde Elizeth Cardoso cantava canções da dupla de compositores então

iniciantes, Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes. Nesta fase a produção original de canção brasileira vai progressivamente se distanciando das ruas e ocupando espaço nos apartamentos da Zona Sul carioca assim dando voz aos jovens de classe média alta.

Contudo, é só com o surgimento do espantoso "violão gago" ao incrível e peculiar canto-falado de João Gilberto, baiano de Juazeiro, que esta nova abordagem se consagra na voz na canção popular. Do ponto de vista vocal, o lançamento do LP  chega de saudade é o marco inicial da Bossa Nova. 

A relação entre voz e instrumento se redimensiona e o intérprete

 

sai do isolamento frente à instrumentação e passa a ocupar um espaço de compartilhamento de uma mesma canção, lado a lado com esta instrumentação.

Mesmo sendo a questão amorosa a temática central das composições, a leveza e a beleza - ou seja, o exercício do equilíbrio estético - passam a ser o principal norte das composições e do cantar.

Além de João Gilberto, aqui os alunos entrarão em contato com as vozes de Nara Leão, Leny Andrade, Joyce, Johnny Alf, Dóris Monteiro e outros intérpretes contemporâneos e também com as

Sheet Music and Guitar_edited.jpg

composições de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Johnny Alf, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal, entre outros.

É importantíssimo lembrar que gêneros regionais tais como o baião, o forró, o côco e a música sertaneja chegam ao mercado fonográfico no final dos anos de 1940 trazidos por seus artistas mais expressivos que também são estudados neste módulo. Entre eles se destacam Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Jackson do Pandeiro, Cascatinha e Inhana e tantos outros.

jovem guarda, mpb e tropi
cália

Durante os anos 1960, a música popular brasileira atravessa sua fase de maior diversidade, pluralidade e inventividade. A televisão é o grande veículo de mídia do período e, com a realização de festivais musicais por diversas emissoras, mostra-se então para todo o país uma vasta e variada produção musical. 

É durante esse período e, principalmente, dentro desse tipo de evento, que nasce a música que viria a ser posteriormente chamada de MPB. Esse termo vinculava-se a uma produção musical politicamente engajada e que pretendia tornar-se um exercício de resistência artística frente ao panorama político vivido no país. Por outro lado, a televisão também abrigava programas dedicados à juventude da época como o Jovem Guarda, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. Embora esse grupo fosse tachado de "alienado" por aqueles que tinham uma atuação

política mais evidente, é preciso apontar que foi a Jovem Guarda a responsável por introduzir no universo da cultura brasileira as mudanças comportamentais que ocorriam mundo afora em virtude da difusão do rock e da cultura iê-iê-iê, cujo grande expoente musical eram os Beatles.

Conectados com essa abordagem da Jovem Guarda, porém realizando uma música que se pretendia provocadora de reflexão e transformação, surgiu o movimento tropicalista que teve também em outras artes seus correspondentes. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa, Torquato Neto, Mutantes, 

Nara Leão, Capinan e Rogério Duprat questionavam frontalmente o chamado grupo da MPB.

Segundo eles era preciso romper o tradicionalismo formal/musical da MPB para tornar a música verdadeiramente revolucionária. Era preciso assumir o Brasil em todas as suas facetas para, a partir daí, consolidar-se um novo país. Eles incorporaram e radicalizaram as propostas comportamentais do rock e, na música que faziam, além de elementos desse universo musical - como as guitarras elétricas - também utilizaram elementos das vanguardas

 

eruditas europeias. A música popular passa a dialogar, então, mais intensamente com outras áreas da produção artística como as artes plásticas, o cinema e o teatro. Apesar de toda essa multiplicidade musical e artística - ou talvez até mesmo por causa dela - é também no final dos anos de 1960 que o samba reaparece em primeiro plano revelando novos valores como Paulinho da Viola e Elton Medeiros e também abrindo caminho para antigos compositores que até então não tinham consolidado um espaço dentro da indústria fonográfica, como foi o caso de Cartola, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.

Clu
be da
es
quina

Surgido na cidade Belo Horizonte durante a década de 1960, o Clube da Esquina foi uma movimentação musical promovida por um grupo bastante heterogêneo de músicos que, de diferentes origens estético-musicais, fundiram tais estéticas originando assim uma sonoridade muito característica.

Milton Nascimento, até então 

compositor e intérprete bastante jovem no cenário da MPB, se apresenta no Festival Internacional da Canção de 1967, promovido pela TV Globo. A canção Travessia, parceria sua com Fernando Brant, é a segunda colocada nessa edição do FIC e Milton é contemplado com o prêmio de melhor intérprete e tanto sua maestria quanto a projeção conferida pelo prêmio possibilitou sua entrada definitiva no grupo dos grandes artistas da música brasileira.

Depois de gravar um álbum internacional e lançar mais dois álbuns no Brasil, é o quarto disco de Milton Nascimento,

Milton [1970], que apresenta, pela primeira vez, a tal sonoridade do Clube e um raciocínio estético que seria mais amplamente explorado no álbum Clube da Esquina [1972].

Carregando os nomes de Milton Nascimento e Lô Borges, o clássico álbum reune arranjos de Eumir Deodato e Wagner Tiso, compositores como Milton e Lô, Márcio Borges, Ronaldo Bastos e Fernando Brant, além de duas releituras magistrais, Dos cruces e Me deixa em paz [com Alaíde Costa] e participações enfáticas e essenciais para o resultado sonoro final como Toninho Horta, Tavito, Nelson Ângelo, Beto Guedes, Luiz, Robertinho Silva, Rubinho e Paulo Moura.

 
Foto do espetáculo do ator Eraldo Fontiny._edited.jpg

Van
guarda
paulista

Ao final da década de 1970 surge em São Paulo uma movimentação artística - com muitas honras estético-músico-cancionais - que entrou para a história como Vanguarda Paulista [embora haja quem a chame também de Vanguarda Paulistana]. O nome, segundo uma declaração de um dos ícones desse momento, Luiz Tatit, não tem grande relevância:

"para mim, é um rótulo parecido com outros, como Rock dos 80,

que veio de fora para dentro. Não prejudicou, nem acrescentou nada. Eu vejo claramente uma unidade, não de um movimento musical, mas na regularidade de um fator: a presença da fala na música. O Itamar fazia um verdadeiro reggae-de-breque. E o Arrigo usava locuções radiofônicas". E é exatamente esse o tema do nosso estudo sobre esse repertório tão rico, tão diverso e tão intenso dessa fase da canção popular: a presença da fala no canto.

O estudo do período nos leva a identificação de padrões vocais até então inusitados para a

 canção popular. Entraremos então nas diversas estéticas vocais propostas por nomes como Tetê Espíndola, Suzana Salles, Vânia Bastos e Ná Ozzetti, cantoras que foram verdadeiros sustentáculos dessa movimentação e ainda realizam seus trabalhos ativamente com inúmeras outras construções.

Entre os compositores trabalharemos com as obras de nomes tais como o próprio Luiz Tatit, Arrigo Barnabé, Wandi Doratiotto e, como não poderia deixar de ser, mergulharemos também no canto e na obra de Itamar Assumpção.

 

módulos
​básico e
livre

​básico

Abrange todos os períodos, com repertório de fácil execução para iniciar o aluno e também proporcionar uma visão panorâmica da canção popular.

livre

Voltado aos trabalhos artísticos dxs alunxs, que aqui escolhem o repertório do cancioneiro tradicional ou apresentam suas próprias composições.

red and gray corded headphones_edited_edited.jpg